Jornadas Europeias debatem as diversas facetas da crise na Europa

As principais facetas da crise que acomete a Europa e a União Europeia, como a instabilidade econômica e financeira, a situação dos refugiados, a ameaça terrorista, a ascensão do populismo de direita, o Brexit e a luta por identidade, serão discutidas durante as Oitavas Jornadas Europeias, de 19 a 21 de setembro, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP).

Organizado pelo Departamento de Direito Internacional e Comparado (DIN) da FDUSP e pela Cátedra Martius de Estudos Alemães e Europeus, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFLCH-USP), o evento conta com apoio do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) e parceria do Centro Alemão de Ciência e Inovação de São Paulo (DWIH-SP). 

A programação das Oitavas Jornadas Europeias contempla palestras de professores e pesquisadores brasileiros e alemães e apresentação de trabalhos, que serão distribuídos em seis oficinas, cujas temáticas centrais são: aspectos político-econômicos da crise na Europa; políticas públicas e governança ambiental; direitos humanos e refúgio; identidade e integração; proteção e promoção da democracia. Confira a programação: http://goo.gl/Siolo9 

Embora o foco seja o cenário atual, o evento é também uma oportunidade para uma análise da crise a partir de sua natureza histórica ou filosófica.

O público-alvo é formado por professores, doutores, doutorandos, mestrandos e graduandos das áreas de direito, relações internacionais, história, ciências políticas, economia, sociologia, filosofia e áreas similares. 

Na entrevista a seguir, Brigitte Weiffen, professora visitante da Cátedra Martius e uma das organizadoras das Oitavas Jornadas Europeias, destaca a importância do diálogo interdisciplinar entre a Europa e a América Latina e chama a atenção para a urgência da conexão de conhecimentos produzidos nas várias disciplinas acadêmicas.

> Como se deu a escolha do tema "Europa em tempos de crise" para as Oitavas Jornadas Europeias?
O debate público sobre a UE, tanto na Europa como fora, caracteriza-se por um prolongado discurso de crise: crise econômica e financeira, crise bancária, crise da Grécia, déficit democrático na UE e decadência das normas democráticas e constitucionais em alguns estados-membros e, mais recentemente, crise de refugiados, ameaça terrorista, a ascensão do populismo de direita, o Brexit e a possibilidade de saída de outros países da UE.

O resto do mundo observa esse desenvolvimento e se pergunta se a Europa ainda é um modelo para a integração econômica e política. Em particular, a partir de uma perspectiva latino-americana surgiu a questão sobre semelhanças e diferenças entre os sintomas de crise econômica em ambas as regiões. Por isso, pensamos que o tema possa ser interessante pela perspectiva brasileira.

> Entre as múltiplas facetas dessa crise, como o terrorismo, o cenário econômico e a questão dos refugiados, qual delas se impõe como um dos maiores desafios ou ameaça à estabilidade política e social da região?
Não penso que seja uma dimensão particular da crise, mas precisamente a ocorrência acumulada de múltiplas crises que se impõe como desafio à estabilidade política e social. Por exemplo, se tivesse havido estabilidade econômica nos últimos dez ou quinze anos, acho que haveria uma convicção mais forte de que a UE pode lidar com problemas como o dos refugiados, a ameaça do terrorismo ou a saída da Grã-Bretanha. Em vez disso, a constante sensação de crise e a percepção pública (verdadeira ou não) de que as várias dimensões da crise reforçam-se mutuamente evocam um profundo sentimento de insegurança e perda de confiança nas instituições europeias.

>  Como a comunidade científica pode contribuir para o enfrentamento dessa crise?
Por um lado, as crises atuais devem ser colocadas em perspectiva comparada, tanto historicamente, olhando para as crises anteriores na Europa e na União Europeia e como elas foram gerenciadas, como globalmente, observando as crises em outras regiões do mundo, como a América do Sul.

Por outro lado, existe uma grande quantidade de conhecimento especializado sobre sintomas e gestão de crises em várias disciplinas acadêmicas que pode contribuir para o seu enfrentamento. No entanto, acredito que as disciplinas acadêmicas deveriam fazer mais para conectar os seus conhecimentos e pensar fora da caixa.


> Quais resultados vocês esperam alcançar com esta edição das Jornadas Europeias? 
Quanto à sua contribuição para enfrentar a crise, acho que um evento interdisciplinar como o nosso tende a ser um passo na direção acima mencionada, contribuindo para reunir os conhecimentos de várias disciplinas acadêmicas. Além disso, a comparação, assim como o diálogo, entre a Europa e a América Latina, abordada de forma explícita ou implícita em muitas das apresentações nas Jornadas Europeias, pode ajudar a aprender uns com os outros.

A principal justificativa para a realização das Jornadas Europeias, com o apoio do DAAD e a parceria do DWIH-SP, está no seu objetivo de construir e fortalecer as redes na área de estudos europeus no Brasil.

Para mais informações sobre as Jornadas Europeias, acesse aqui a página do evento no Facebook.

Cilene Victor/ DWIH-SP

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